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sábado, 27 de agosto de 2011

COMUNA DE PARIS em versos de cordel, por Paiva Neves

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Inspirai a minha lira
Oh! Deuses da liberdade;
Alimentai-vos meus versos
Com as tintas da igualdade
Para que eu possa cantar
A saga de uma cidade.

Ao escrever o poema,
Onde a métrica cadencia
Em notas, as rimas rubras
Que dar ritmo a poesia,
Homenageio a Comuna
Que venceu a tirania.

Neste combate entre as classes,
A operária apostou alto.
No modo de produção
Projetou um grande salto
E Marx disse: - Eles ousaram
Ao tomar os céus de assalto.

Foi em março de oitocentos
E setenta e um lá na França,
Que povo trabalhador
Foi parteiro da mudança
Construindo o embrião
No berçário da esperança.

Das revoltas sociais
A opressão é a matriz.
No calendário das lutas
A história é quem nos diz:
- Proclamou-se a igualdade
Na comuna de Paris.

Foi em 18 de março
O levante proletário.
Essa revolta classista
Foi fato extraordinário.
O povo foi ao poder
Sob o comando operário.

A revolta teve início
Só pela indignação
Do povo da capital
Contra a mais vil traição
Daquela elite econômica
Que dominava a nação.

A república Francesa
Com outra nação guerreava.
Guerra Franco-Prussiana
O confronto se chamava,
Pois era contra a Alemanha
Com quem a França lutava.

O exército prussiano
Estando mais preparado,
Avançava palmo a palmo
Do objetivo traçado:
Derrotar o inimigo
E mantê-lo dominado.

Foi Napoleão Terceiro
Derrotado facilmente,
E foi feito prisioneiro
Pelo exército oponente
E da França Adolfhe Thiers
Foi eleito Presidente.

As províncias francesas
Numa eleição desigual
Elegeram monarquistas
A Assembléia Nacional
Que defendiam que a França
Se desarmasse geral.

Sob o domínio alemão
A França subjugada,
A alta estima dos franceses
De certa forma apagada
E a autonomia francesa
Sendo por fim esmagada.

Contra a política entreguista
Em Paris houve um levante.
Operário com soldado,
Pequeno comerciante,
Literatos e artistas
Levaram a luta adiante.

A Guarda Nacional
Aliada aos proletários
Uniu-se a população
Tendo à frente os operários
Para defender Paris
Dos burgueses sanguinários.

A batalha foi sangrenta
Com mortes de lado a lado.
A frente destes combates
Estava o operariado
Construindo um mundo novo
Sem patrão, sem explorado.

Dezoito do mês de março
A revolta triunfou.
O Governo, derrotado,
De Paris se retirou
E o povo parisiense
A vitória festejou.

Agora que os explorados
Governavam a cidade
Trataram de transformar
A velha sociedade.
Com muita democracia
Sedimentando igualdade.

O povo vitorioso
Agora estava feliz
Nas ruas, vias e praças
Pisavam na flor de lis,
Cantando e fazendo festa
Pelas ruas de Paris.

Mas, no entanto era preciso
A cidade governar.
Botar em prática o programa
Que fez o povo avançar
Com lágrima, suor e sangue
E o capital derrotar.

Formaram logo o Governo
De caráter proletário.
Em todo e qualquer projeto
Tinha o traço solidário,
Sendo tudo dividido
Com teor igualitário.

Socorreram aos que tem fome
Dando-lhes o que comer,
Repartindo o vinho e o pão
Fez a força renascer
No seio daquele povo
Que rompeu com seu sofrer.

A comuna proletária
Pôs o projeto em ação.
Foi do trabalho noturno
Decretado a abolição
E as oficinas fechadas
Entraram logo em ação.


Com a jornada reduzida
Fundaram cooperativas,
Assim se gerou trabalho
Para as massas inativas
Socializando a riqueza
Entre as forças produtivas.

As residências vazias
Foram desapropriadas.
Pessoas sem moradias
Para ali foram alocadas.
Na comuna não mais tinha
Famílias desabrigadas.

Também ficou proibido
Os descontos nos salários.
Escravidão por empréstimo,
(A prática dos usurários),
A comuna proibiu
E perseguiu os falsários.

Os direitos entre os sexos
Na comuna era normal.
Conquistaram os sindicatos,
Funcionamento legal,
Dos professores dobraram
O ganho salarial.

E a educação gratuita
Ficou sendo obrigatória.
Ciência, filosofia,
Matemática e história,
E com as escolas noturnas
A ascensão era notória.

Adotaram como lema
O internacionalismo
E na bandeira vermelha
Postavam esse simbolismo.
Foi à primeira experiência
Na prática, de socialismo.

Convocaram a unidade
Dos lutadores ativos
Como está no manifesto
Dos teóricos combativos:
“Trabalhadores do mundo
É hora de vos unir-vos”

Na França, o operariado
Fez sua força valer.
Dezoito do mês de março
Assumem todo o poder.
A comuna de Paris
Fez o mundo estremecer

A comuna de Paris
Foi a primeira vitória.
Aos explorados do mundo,
Quarenta dias de glória.
De um Governo de operários
Registrado na história.

Lá naquela experiência
Tudo foi socializado.
Terra para o camponês
Casa ao assalariado
E o controle das empresas
Para o proletariado.

A batalha era diária
Em praça, rua e quartel.
Nesta epopéia operária
Destaco Louise Michel,
Mulher de fibra e coragem,
Batalhadora fiel.

Ela escreveu um poema
Falando de rubros cravos
Ao amigo executado
E a todos os outros bravos
Que deram a vida lutando
Pra não serem mais escravos.

As mulheres de Paris,
Auroras da liberdade,
(Cecília, Julie e Maria)
Defenderam a cidade,
Sonharam que era possível
Mudar a sociedade.

Em igualdade com os homens
Fizeram todo o percurso.
Trabalharam arduamente
Na revolução em curso,
Sendo pegando nas armas,
Sendo fazendo discurso.

A burguesia assustada
Com aquela rebelião
Libertou os seus soldados
No território alemão
Para que voltando à França
Combatam a revolução.

O combate foi ferrenho
Com o exército opressor.
Os comunards defenderam
A comuna com fervor.
Homem, mulher e menino
Lutavam com destemor.

No final do mês de maio
A comuna é destruída.
A nojenta burguesia
Já bastante enfurecida
Fuzila trabalhadores
Que lutavam pela vida.

O massacre foi sangrento
Cruel e sem piedade.
Trinta mil fuzilamentos,
(Puro instinto de maldade),
Amontoavam os cadáveres
Pelas ruas da cidade.

O sonho dos comunards
Por conquistas sociais
É o sonho dos explorados
Desses tempos atuais.
Trabalhadores do mundo
Nós todos somos iguais.

Vou terminar o cordel
Onde fiz à narrativa,
Afirmando que a comuna
Em nós permanece viva.
Nossa homenagem aos mártires
Com nossa ação combativa.


Precisamos inverter
Na contemporaneidade
Essa lógica desigual
Varrendo a desigualdade.
Então traga para a luta
Sua combatividade.

Maracanaú, 19 de junho de 2011.
Paiva Neves

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Poema pra Zé do Passo


É pessoal, foi triste a ida do GRANDE ZÉ DO PASSO, nós da Rosas da Boa Vista fizemos uma singela homenagem a ele no nosso desfile, ele foi o tema do carnaval de 2011, com o tema: Zé, o poeta dos passos e colocamos um ator (Adriano Cabral) lhe representando perfeitamente na Aurora dos Carnavais, foi lindo! Criamos a Troça Carnavalesca Zé do Passo em folia, a mesma saiu na quarta-feira de cinzas alegrando os foliões e relembrando o amigo Zé do Passo. Em agosto agora, depois da missa de um ano, nós saímos às ruas do Recife em cortejo até a sua casa, cantarolado belos frevos, estamos batalhando pra fazer o seu museu, as coisas estão bem em caminhadas. José Bandeira, este eterno brincante estará sempre nos nossos corações. Ele nasceu na cidade de limoeiro, distante 77 km do Recife, cidade esta que se apaixonou aos 9 anos de idade, quando aqui chegou, fez daqui a sua casa e fez história como um passista que soube como ninguém brincar o carnaval. Aprendeu cedo a dançar este ritmo único no mundo (o FREVO), fez uma legião de amigos nesta cidade que o abraçou e o fez o nosso eterno Zé do Passo. A dança ele herdou do pai, que era um exímio dançarino de dança de salão. Como um morador da Boa Vista estava sempre antenado com os movimentos culturais do bairro, um freqüentador do Mercado da Boa Vista e sempre estava nas atividades culturais do nosso bloco, seja no bloco propriamente dito e na nossa Serenata das Rosas, sempre atuando com gramou e prazer. No dia do seu sepultamento, triste fiz o primeiro poema sobre ele que está publicado no nosso site, agora fiz o segundo com o titulo: Ao amigo Zé do Passo. Sempre, sempre e sempre estaremos lembrando o nosso grande amigo, desta pequena e gigante figura humana.

Ao amigo Zé do Passo
Gilson Silva

Não vejo mais o seu rosto
Enfeitando a luarada,
No pezinho de estrada
Com os olhinhos dispostos
A desfilar com gosto
De janeiro a janeiro
Com aquele riso maneiro
Que contagiava a gente,
Com aquele passo plangente
Feito na medida certa
Como uma boa oferta
Dos deuses do encantamento
Com aquele seu talento
Que servia como alerta.

Procuro nas ruas estreitas
Aonde a vista se espreita
Procurando o seu jeito
Com um aperto no peito
De saudade malfeita
Assim tão suspeita
Entronxando o rosto
De um punhado de agosto
Temperando o desgosto
Que a maldade deleita
Causando em nós desfeita.
Assim por debaixo dos panos
No oitavo mês do ano
Eita maldade má feita!

Morreu um homem brincante,
Morreu brincando com a vida,
Morreu na triste partida
Na ida pra mais uma chegada
A onde debruça a jornada
De um herói assim não vencido.
Numa rua assim esquecido
Plainou um corpo na estrada
Foi jogo surjo, não digo
De um homem que joga limpo.
Foi logo por ele colhido
Levado ligeiro pro Olimpo
Pra ficar como bons amigos.
Morrer, eu sei que não vai
Viver, eu sei que duvido,
Terá mais carnavais
Que nós das lembranças com sigo.

Obs. Poesia feita para o saudoso Zé do Passo, no mês do seu falecimento (19/08/2010).
Ouça a nossa Rádio web, já está no ar. www.blocorosasdaboavista.xpg.com.br

Recife e Olinda

Notícias do Rosas

> FOTOS DO MERCADO DA BOA VISTA 16/03/2014 <

 

APRSENTAÇÃO DO ROSAS NO AURORA DOS CARNAVAIS 2014

 

 

Degustas Frevos