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sábado, 24 de março de 2012

Ao velho/novo PCB

Ao meu querido partidão.
Paulista, 25 de março de 2012.

Estimado camarada:
Hoje 25 de março de 2012, eu resolvi te escrever. Sei que tu és um camarada muito ocupado, mas não poderia passar esse dia sem escrever esta missiva, recheada de emoção, para te contar um pouco da mossa amizade. Tu lembras do primeiro dia que foste-me apresentado? Pois é faz tempo, né? Ano (1985), ano este que Tancredo Neves é eleito presidente sendo primeiro civil eleito em 21 anos sob o sistema de colégio eleitoral criada pelos militares, isto foi no começo do ano, quando te conheci já era quase no fim deste ano. A nuvem preta da ditadura já estava se dispersando, mas o medo dela ainda estava no ar. O companheiro que foi comigo te conhecer disse-me dias depois que tinha pesadelo do tempo da ditadura, temia a sua volta.
Pois é camarada, foi lá naquela casa de térreo e primeiro andar, vizinha, por ironia do destino da famigerada: Tradição, Família e Propriedade (TFP) ou Sociedade brasileira de defesa da tradição, família e propriedade fundada em 1960, pelo escroto Plínio Correia de Oliveira, organização esta, católica tradicionalista, extremamente conservadora. Tu lembras né camarada! Foi lá que tu sentado naquela poltrona vermelha, com o teu terno impecável, dando as coordenadas através do saudoso Cabo Veio, não o Cabo Dias (Giocondo Gerbasi Alves Dias), nem o Cabo Anselmo, mas o cabo que era toda simplicidade! Passamos varias horas ali, eu pude perceber a importância da tua amizade, a coerência dos teus ensinamentos, a vivacidade da tua ação revolucionária.
Mandaste-me entrar na UJC para lutar por meia passagem dos ônibus, por ensino público, laico e de qualidade... Eu fui seguindo esse caminho e tu ali dando as orientações, que orientações! Entre uma manifestação e outra eu rabiscava uma poesia que tu sempre estavas presente, numa estrofe e outra realçando o meu poema. Que pena que muitas deles eu perdi no caminho, mas a essência eu levarei comigo eternamente. Tu indicavas o livro e eu lia vorazmente como gente sedenta a beira de um pote cheio d’água. Tu me apresentaste Marx, Lênin, Olga, Pagu e tantos amigos teus e eu fiquei encantado com suas histórias, ah! Como foram, são e sempre serão importantes para a minha formação!
Os dias se passaram, eu sair da UJC e tu mandaste militar na base comunitária e fui. Lá, naquela casa simples, na Linha do Tiro, eita bairro mais problemático, mas com um povo guerreiro, no seu seio estava uma mulher que nos acolhíamos para afiávamos nossos discursos afinados com a prática, foi lá também que conheci o grande Sobreira, eita senhor forte! Com sua idade avançada e as ideias também, bem futuristas para aquela comunidade sofrida do Boqueirão (como é conhecido o bairro também), o grito de rebeldia se ouvia a distância no semblante daquele negro tão Brasil, como foi bom militar na mesma base dele. Entre uma bolachinha e outra, trazida pela filha da dona da casa, as discussões avançavam, mas não madrugavam, pois sair daquela comunidade altas horas, eu, a camarada Elizete (a companheira de Moacyr, ex-presidente estadual do partido), o saudoso Sobreira e tu, não era conveniente. Campanha eleitoral ia e vinha e tu ali do meu lado ensinando defraudar a bandeira da foice e do martelo, que na UJC fui saber o seu significado. Subimos morros, atravessamos alagados, adentramos nas casas quando os seus donos eram simpáticos à causa socialista para conscientizá-los, para pedir votos para nossos candidatos.
Depois de tanta luta aguerrida contra a burguesia, sempre sobrava tempo, para a diversão, é claro, e essa diversão tinha data certa, era no carnaval, precisamente em Olinda essa cidade tão bravia que no carnaval joga tudo pra cima e cai no passo ao ritmo do frevo e tantas outras manifestações culturais, bem que nossos passos são bem firmes e definidos né camarada? Lá íamos pra aquela Barraca que tu inventasses, lembras o primeiro nome? É! Foi sim: O Bêbado e o Equilibrista que é o nome de uma música politizada de 1979, uma composição de João Bosco e Aldir Blanc. Tu jogasses pesado na escolha desse nome emblemático para a barraca de carnaval que fez tanto sucesso, a esquerda que se juntava lá pra brincar e trocar ideias que o diga. Ia eu, tu e monte de carnavalescos militantes brincar nela. Como era animada a tal barraca né camarada? Depois vieram outros: PT, PCdoB, PSTU (anos depois) colocar lá em Olinda as suas barracas também, virando um reduto de esquerda o local. Na década de 90 já estava ficando fraca a animada e o interesse teu e dos demais por ela, não era mais essas coisas, mas tu deste a tarefa a mim e a outros camaradas pra ficar a frente da barraca, eu fui cumprir a tarefa, alegre, pois gostava e ainda gosto da folia! Com as desavenças entre tu e os pelegos dos freiristas que quiseram te acabar e ficaram com o nome da barraca que inventaste, ficou quase inviável continuar colocando-a no carnaval de Olinda. Eles ficaram com o nome da barraca, mas não ficaste com eles, seguiste outro rumo, sem o nome da barraca, mas não com a alegria dela. Tu sabiamente viste que era importante continuarmos com ela. A vontade de ficar brincando no carnaval de Olinda, mas uma vez, deste mais uma tarefa, agora de escolher outro nome e escolhe: Bêbado Teimoso, todos gostaram do novo nome que eu dei, inclusive tu, não foi camarada? Teimosia é contigo mesmo né camarada? Entrei de frente nela, eu e companheira que ficávamos quase sem dormir, porque eram cinco dias de festa sem parar, não podíamos dormir, quando dava, cochilávamos, lembras!? Eu criei o bloco, fiz o estandarte com o mesmo nome da barraca (Bêbado Teimoso) para animá-la, mas não deu mais pra continuar a frente dela, passei a peteca pra outros, mas eles não seguraram bem a onda e a barraca acabou. Mas a folia continua nos nossos corações.
Os anos se passaram, mas a nossa amizade e companheirismo continua firme e forte, o tempo deu umas viravoltas, pelegos te traíram e seguiram outra rota, a rota do vil metal e tu tá aí, na mesma linha vigorosa com os teus 90 anos de experiências e luta. Eu agora mais na militância cultural, como tu bens sabes continuo te admirando e seguindo os teus passos, agora com meus cabelos brancos, és para mim o estandarte do meu aprender que exibo ao mundo com orgulho, tu me ensinas o caminho certo a seguir e eu sigo determinado na luta contigo querendo aprender sempre! Como é bom defraudarmos juntos essa bandeira rubra da foice o martelo que dar o Norte a todos nós comunistas! Para termina, camarada! Com os olhos brilhando como o flabelo do nosso bloco carnavalesco, eu te homenageio com as palavras de ordem que bem me ensinaste: De Norte ao Sul e no país inteiro / viva o Partido Comunista Brasileiro. É força, ação aqui é o partidão. PARABÉNS CAMARADA, mas parabéns mesmo!!!

quarta-feira, 21 de março de 2012

A praxe do absurdo


A praxe do absurdo
Por: Gilson Silva

Foto; Jailson da Paz
           
Todos sabem que a cultura pernambucana é forte, muito plural, mas o governo parece não ver essa força toda, importa o samba carioca, não que nós não precisamos do samba carioca, mas o recurso que temos não é essa coisa toda para se dá o luxo de trazer uma campeã pra se apresentar aqui, dando todo mimo que ela merece, mas seria mais sensato cuidar da nossa cultura, dando espaço e todo glamour que ela merece. Na terra que é também dos maracatus, silencia um pra dar vez ao Unidos da Tijuca para passar com suas cinco baianas, dez passistas, com uma ala de mestre Vitalino em homenagem ao grande Luiz Gonzaga e uma bateria de umas duas dezenas de integrantes. Silenciando um maracatu que animava (de graça) o povo nas proximidades da passagem da grande escola de samba carioca. Perguntado a um integrante do maracatu porque eles pararam de tocar? E ele disse: a prefeitura mandou a gente parar para não atrapalhar a escola de samba. Eles sempre perseguem a gente, hoje o nosso mestre estava calmo e aceitou sem contestar. Disse o tal brincante do maracatu. O maracatu que estava comemorando o aniversário da sua cidade silenciou e não pôde levar cultura pernambucana ao povo, mesmo sem apoio da prefeitura nem do governo estadual, que viraram as costas, literalmente a eles que estavam ali animando a cidade e não puderam continuar brincando na rua que é do povo. As nossas agremiações passam por imensas dificuldades, mas os governantes não tão nem aí, numa festa dessas, com uma imensa infraestrutura, “esquecem” de convidá-las, dando um cachezinho que iria ajudar bastante a elas, mas sobre tudo, seria um palco muito bom para sua divulgação, mas o governo preferiu ajudar o samba campeã carioca, que gastou mais de 10 milhões no carnaval de 2012, boa parte veio da articulação do governo pernambucano, com indicação de empresas a “darem” aquela ajudinha básica. Milhões apareceram de repente, com o empurrãozinho do governo pernambucano. Esse empurrãozinho bem que poderia ser dado as nossas agremiações, que vão às ruas com roupas recicladas, com pouco brilho, pois brilho é caro, com uma orquestra dividida, com poucos músicos, muitas vezes até sem eles que se esquivam do compromisso, por conta de serem maus pagos e quando pagos bem atrasados, isso já é praxe dos governos que patrocinam os ciclos festivos da nossa terra.     

quarta-feira, 14 de março de 2012

GOVERNO


GOVERNO - Gilson Silva (27/02/02)

Tu crias alma, procrias medo,
Inventas deuses, fabricas cão.
Tu privatizas o céu e estatizas o inferno,
Aprofundas a crise, escamoteias a infração.

Tu escondes serpente na pele de cordeiro.
Tu cobras imposto, impões gosto, pintas o sete.
Tu amassas a massa e amacias banqueiro.
Tu acaricias a burguesia e agrides a plebe.


Tu prendes crianças na tela de uma creche de vidro,
Robotizas adultos diante do vídeo,
Tu cortas as asas do pássaro gente
Que desafia gigante a gravidade da mente.

Tu constróis presídios e dar de presente aos seus construtores,
Sabendo que o mesmo, os seus, jamais habitarão.
Artigo por artigo tu sabes bem de cor.
O habeas-corpus de pobre é uma fenda no chão.
Tu decretas pena de morte aos teus filhos sãos 
Que sofrem com fome como um condenado à dor.

Tu rezas um terço e pecas três quarto,
Tu pagas teu dízimo com ouro de tolo,
Tu fazes conchavo com Deus e o diabo,
Para te perpetuar no poder.

Tu és um todo que domina as partes sem eira nem beira,
Que no fosso não significa nada mesmo.
Tu és a forca que matou Ezoc e Tiradentes,
Tu és o esmo do clarão do desgoverno,
Tu és a cela que tirou Gregório Bezerra da gente
Tu és aquilo que comumente se chama governo.

terça-feira, 13 de março de 2012

Festivais: por onde andas?


Festivais: por onde andas?
Por: Gilson Silva (12/02/2012)

O Festival Promessas, exibido pela TV Globo em 2011, anda alienando o povo, mas vai de vento e polpa, fez com que a emissora alcançasse quase o dobro da sua audiência no horário, liderando o Ibope. O grande show gospel que foi gravado no Aterro do Flamengo, Zona Sul do Rio, alavancou a audiência em 13 pontos (cada ponto equivale a 58 mil aparelhos de TV). A marca do mesmo horário no domingo anterior era de apenas 7 pontos, mostra a cara de pau dos atuais donos da Rede Globo, rede esta que nasceu nos braços da ditadura e que hoje acalenta os Malafaias da vida com esse péssimo festival gospel (na tradução da palavra: boas novas) que de nova não tem nada, tem sim como “pai” um matusalém: Thomas A. Dorsey que nasceu em 1899 e morreu em 1993, um cantor americano de blue, o “pai desse lixo sonoro chamado gospel” que infelizmente Elvis Presley ajudou a divulgar na década de 50, baseado em que eu não sei. Tal música Gospel chegou a triplicar nas últimas décadas o lucro (de US$180 milhões de dólares) em 1980, é essa “riqueza” que a Globo quer abocanhar mais e mais a qualquer custo e pôs Serginho Groisman para apresentar para essa legião de alienados tal festival feioso e vazio, logo ele (Serginho Groisman) metido a “cabeça”, que fica altas horas se comunicando com os jovens, ele que faz AÇÃO, um programa de cunho social, não sei como um cara jornalista se passa pra isso. Esse Festival Promessas da Globo, tem por única finalidade e vencer no IBOPE e ganhar muito dinheiro, que falta fazem os festivais de outrora! Festivais de MPB, festivais até mesmo globais da década de 80 que revelou Tetê Espínola e Cia e os festivais da Record do final da década 60 que revelou grandes artistas e que andam agora só na memória de todos nós que amamos a verdadeira música, a Música Popular Brasileira! 

Recife e Olinda

Notícias do Rosas

> FOTOS DO MERCADO DA BOA VISTA 16/03/2014 <

 

APRSENTAÇÃO DO ROSAS NO AURORA DOS CARNAVAIS 2014

 

 

Degustas Frevos