Violência não rima com folia
Em Olinda e Recife, as prévias de carnaval já se espalham pelas ruas, em Olinda desde setembro, como um ensaio prolongado da alegria que se aproxima. Mas junto à música e ao riso, persiste um velho fantasma: a violência. Antiga, negligenciada, e ainda sem o enfrentamento profundo que exige políticas sociais estruturadas, educação em todas as dimensões e um olhar atento ao que o carnaval representa para o povo, a cultura e ao estado.
O poder público, muitas vezes, parece assistir à festa como quem vê a banda passar sem reconhecer a melodia. As prévias seguem quase entregue ao acaso, com uma presença estatal restrita à repressão, quando deveria haver diálogo constante, planejamento e leis firmes contra aqueles que insistem em transformar a brincadeira em conflito. Quem escolhe a violência não pode ter espaço na festa: é preciso que seja afastado desde as prévias, para que não manche o brilho do carnaval. Os que não têm como pagar pelas arruaças cometidas, que paguem com trabalhos à comunidade.
Leis severas são necessárias, sobretudo as que atingem financeiramente os infratores. Quando o bolso é tocado, a alma hesita antes de seguir pelo caminho da arruaça. Assim, evitam-se prisões abarrotadas e custos desnecessários, sem abrir mão da ordem. Mas a repressão, sozinha, não basta. É indispensável unir rigor jurídico ao combate das raízes sociais e educacionais da violência.
O carnaval deve ser direito de todos: uma brincadeira segura, com prevenção eficiente, profissionais preparados física e mentalmente, e apoio logístico, humano e tecnológico. E também, um transporte seguro e gratuito, amplia a democratização da festa. Uma festa saudável e próspera atrai dividendos para a prefeitura, para o estado, para os comerciantes e, sobretudo, para o povo. Fortalece a cultura, engrandece a cidade e reafirma a identidade coletiva.
Não será o 1% que destruirá a alegria dos 99%. Viva o carnaval! Viva a cultura! Viva o povo brincante!
As. Gilson Silva
09 de janeiro de 2026.

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